Conheça a TRI, Teoria de Resposta ao Item, sistema anti-chute do ENEM

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Conheça a TRI, “sistema anti-chute” do ENEM

Teoria de Resposta do Item (TRI) é usada pelo ENEM desde 2009 para avaliar a proficiência do candidato e diminuir as chances de um chute ser bem sucedido.

08/11/2018 - Equipe Cafeina Nerd
#Enem #TRI

O primeiro dia do ENEM 2018 já passou. Porém, o segundo está por vir e será neste domingo (11), com 45 questões de Ciências da Natureza e outras 45 de Matemática, Códigos e suas Tecnologias. Como as questões de exatas do exame exigem muitos cálculos, o Ministério da Educação (MEC) decidiu dar 30 minutos a mais para o segundo dia. De qualquer forma, isso não garante que os alunos irão resolver as perguntas mais complicadas.

Quando não se chega ao resultado, um dos recursos mais utilizados pelo candidato é partir para o chute. No entanto, algo que nem todos sabem é que o ENEM possui um método chamado Teoria de Resposta ao Item (TRI), que mede a proficiência do estudante e funciona como um “sistema anti-chute”. Afinal de contas, chutar é uma boa saída?

O surgimento da TRI

O ENEM foi totalmente reformulado no ano de 2009. Para tentar uniformizar o teste e criar ferramentas de avaliar o aluno entre anos, o ENEM deixou de ter 63 questões e passou a ter 90 por dia, sem falar na redação. Além disso, passou a ser adotada a metodologia TRI, para que houvesse maior justiça entre os candidatos.

Sendo assim, enquanto a maioria dos vestibulares do país adotam uma metodologia antiga e simples, contabilizando um ponto quando o candidato acerta e nenhum quando ele erra a questão, o ENEM tenta medir, de forma mais aproximada, quanto realmente aquela pessoa sabe de cada matéria. Tal metodologia também é adotada de forma semelhante em países como Estados Unidos e Holanda.

O intuito não é saber exatamente quantas questões o candidato acertou. Isso seria somente um meio para atingir o objetivo final, que é premiar aqueles que mais sabem de cada matéria. No ENEM, trata-se de medir a proficiência do estudante em cada uma das áreas de conhecimento e, a partir disso, lhe dar a recompensa, que é boa nota e a vaga na universidade.

Como funciona a TRI?

Antes de explicar a metodologia TRI é preciso saber que:

1) em cada área de conhecimento da prova, há 45 questões com níveis diferentes de dificuldade. Estima-se que o ENEM ranqueia cada questão entre 200 e 900, sendo 900 a mais difícil.

2) O fato de você acertar uma questão não quer dizer que você irá receber toda a pontuação que ela pode oferecer. A TRI pode calcular que foi um “chute” dependendo das suas respostas às demais perguntas e lhe tirar uma parcela do bônus total.

3) O mesmo acontece no inverso. Se você erra uma questão muito fácil e acerta todas de nível acima, a TRI compreende que houve um lapso ou uma desatenção e não desconta tantos pontos.

Entenda melhor no gráfico abaixo:

Vamos considerar um estudante que tenha tirado média final 650 em matemática. Isso representa que a TRI entendeu que ele consegue resolver, praticamente, todas as questões de nível 650 para baixo e erra a maioria das que estão acima. 650 é a sua proficiência observada naquela área de conhecimento. Porém, podem ter havido algumas variações em sua prova.

E se o candidato acerta uma questão mais difícil do que sua proficiência?

Vamos supor que ainda se trate do mesmo candidato de proficiência 650, em matemática. O que aconteceu, então, se ele acertou uma questão de nível 800? A TRI avaliou que foi um chute e não contou tantos pontos, quanto contaria caso fosse algo linear. Se outro candidato, que acertou quase todas as questões até 750, assinalasse a alternativa certa na mesma pergunta, ele provavelmente ganharia o bônus total da questão de 800, porque estaria provado que ele tem aquela proficiência, que ele é capaz de resolver problemas daquele nível e que não foi um chute.

E se o candidato erra uma questão mais fácil do que sua proficiência?

O mesmo pode ocorrer quando se trata de questões mais fáceis. Um candidato que tenha a proficiência 650, acertando quase todas as questões desse nível para baixo, erra uma de nível 300. O que a TRI entende? Que houve um lapso ou uma desatenção e desconta poucos pontos.

É importante acertar as mais fáceis ou mais difíceis no ENEM?

Tendo tudo que foi descrito no item acima à vista, é possível dizer que: acertar as questões mais fáceis é fundamental para se ter uma boa média no ENEM. De nada adianta acertar as mais difíceis sem acertar as mais simples. Sua nota será mais baixa do que a de quem só consegue resolver as mais simples.

Veja na imagem abaixo um exemplo disso:

Repare que o candidato da esquerda acertou somente as de menor nível e, portanto, sua média final seria 480. Enquanto o da direita acertou somente as mais difíceis e uma fácil. Sendo assim, de acordo com a TRI, sua nota é 363.

Confira alguns exemplos do que pode acontecer devido à TRI:

– O candidato A e o candidato B acertam as mesmas questões fáceis e médias. Porém, o candidato B acerta uma questão muito difícil. Ele terá alguns pontos a mais na média, mas a diferença será pequena, pois há uma alta probabilidade de “chute”.

– A e B acertam as questões fáceis e medianas, porém A erra uma muito fácil. Ele só terá alguns pontos descontados, pois a TRI entende que houve um lapso ou uma desatenção.

– O candidato A acerta várias questões difíceis e erra várias fáceis e medianas, enquanto o candidato B acerta todas as fáceis e medianas e erra as mais difíceis. Quem terá a maior nota? O candidato B, pois houve algum erro que possibilitou ao candidato A acertar as mais difíceis. Ele não tem essa proficiência, segundo a TRI. Talvez tenha sido por sorte. Dessa forma, a metodologia avalia que a proficiência do B é mais alta.

– Os candidatos A e B acertam todas as fáceis e medianas, de nível abaixo de 650. Porém, o candidato B acerta uma de nível 700. Dessa forma, ele terá um salto bem superior, próximo a 50 pontos, na nota final. Isso ocorre porque a TRI entende que sua proficiência será de, aproximadamente, 700 e que aquilo não foi um chute.

Vale a pena chutar no ENEM? E errar “menos feio” dá mais pontos?

As respostas aqui são: sim e sim. Chutar é melhor do que deixar em branco, o que significaria um erro. Chutando, na pior das hipóteses, você errará da mesma forma do que se não assinalasse nada.

Ademais, é possível que você marque pontos mesmo não colocando a alternativa correta nos testes. Isso porque a metodologia utilizada pelo ENEM também leva em consideração que existem respostas plausíveis, apesar de erradas, e respostas absurdas. As primeiras até valem alguns pontos para o candidato, enquanto as absurdas equivalem a zero, caso o candidato as assinale. Ou seja, um primeiro filtro é sempre interessante.

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